Sobre o Projeto
Bem-vindos à Rede Entrepares: Ciência Popular e Saúde Mental
O Entrepares é um projeto de pesquisa-ação que nasce da experiência de duas décadas do coletivo Entrelaços (www.entrelacos-ipub.com.br). Nosso objetivo é formar pessoas a partir de suas experiências de vida — pessoas com experiência de vida com o sofrimento mental, familiares e lideranças comunitárias — para atuarem como pesquisadores e agentes de transformação em suas próprias comunidades.
Uma parceria do Sul
Acreditamos que o conhecimento não deve vir apenas do Norte Global ou de uma ciência eurocentrada que, por muito tempo, silenciou as vozes do Sul. A parceria entre Brasil e Moçambique pretende aproximar os continentes América Latina e África através da parceria de dois países de língua portuguesa com um passado colonial – com realidades muito diferentes, é verdade, mas muitos pontos em comum a serem transformados através do intercâmbio que uma ciência verdadeiramente popular pode promover.
Nossa pesquisa assume um compromisso político e ético para:
- Valorizar a sabedoria ancestral: reconhecer o conhecimento dos povos originários e da diáspora africana presentes nas comunidades locais como fundamentais para a sobrevivência e o bem-estar ao longo da história.
- Enfrentar o racismo e a colonialidade: entender como o passado colonial, o racismo e as desigualdades impactam diretamente a saúde mental das populações.
- Unir saberes: somar o conhecimento acadêmico das universidades ao saber popular de forma horizontal, possibilitando a emergência do que chamamos de “ciência popular” e despertando a comunidade para um maior ativismo político.
Centros de pesquisa no Brasil e em Moçambique
• No Brasil: escolhemos duas comunidades do Rio de Janeiro, Rocinha e Complexo do Alemão, para um projeto piloto de formação de pesquisadores comunitários com experiência de vida.
• Em Moçambique: escolhemos o serviço de saúde mental da Universidade Eduardo Mondlane, que possui experiência no atendimento às comunidades rurais de Maputo e na força dos agentes comunitários locais.
Como a pesquisa acontece
A pesquisa tem duração de 12 meses e é dividida em três etapas principais:
- Etapa de Formação (8 meses): seminários e grupos de discussão sobre temas clínicos, sociais e políticos. Inclui encontros trialógicos bimestrais que reúnem pessoas com experiência de vida, familiares e profissionais de saúde dos centros comunitários.
- Etapa de Pesquisa de Campo (4 meses): os pesquisadores comunitários (pessoas com experiência de vida, familiares e lideranças comunitárias que participaram da primeira etapa) realizam um Diagnóstico Rápido Participativo em seus territórios, utilizando entrevistas com pessoas da comunidade, mapeamento de recursos no território e caminhadas comunitárias para refletir sobre os cuidados com a saúde mental no território e propor mudanças.
- Etapa de análise dos resultados e divulgação: os resultados serão analisados e publicados em coautoria com os pesquisadores comunitários, garantindo que o conhecimento produzido retorne à comunidade. Serão realizados seminários com a comunidade local para divulgação e participação popular.
Acompanhe a Rede Entrepares
Este espaço documenta nossa jornada através de vídeos, fotos, depoimentos e produções coletivas.